ROOTS - ROCK - REGGAE (Wil Zion)


Mensagens do Rei

Mensagens de Paz de quem foi e sempre será o maior Superstar do Terceiro Mundo: Bob Marley

> O governo diz: "Não, você não deve fumar maconha porque vai te deixar rebelde..." Rebelde contra o quê?

> Nesse grande futuro, não podemos esquecer do nosso passado

> Até que a filosofia que mantém uma raça superior e outra inferior, seja finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada... GUERRAS....

> Veja a situaçao real, nação luta contra nação, quando isso tudo começou, quando isso tudo vai acabar, parece que a destruição total é a única solução

> Emancipe-se da escravidão mental, nenhum mas nós mesmos podemos libertar as nossas mentes

> Quando morrer quero ser cremado, e que as minhas cinzas alimentem as ervas e que as ervas alimentem as mentes de outros loucos como eu

> Temos que expulsar esses carecas loucos da cidade

> Nós somos os filhos do Rastaman! Nós somos os filhos do Superior!

> África, une-te, por que nós estamos saindo da Babilônia, e vamos para a terra do pai

> Esta manhã eu acordei com uma sirene, oh deus, eu era um prisioneiro também

> Get up, stand up, stand up for your rights, don't give up the fight!

> Uma coisa boa sobre a música é que quando ela bate você não sente dor

> Se você pensar bem, vai ver... que a maconha é uma planta...!

> Se o mundo fosse perfeito todo dia faria sol, todo mar quebraria onda, toda música seria reggae e toda fumaça faria a cabeça...

> Queria que o mundo se acabasse em chamas para que eu fumasse meu último baseado.

> Para que beber dirigir quando você pode fumar e voar....

> Para que ter os olhos verdes se o vermelho dos meus olhos vêm do verde da natureza...

 

 

Fonte: http://surforeggae.ig.com.br



Escrito por Wil Zion às 20h46
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Grammy 2008 - Melhor Álbum de Reggae

 

Artista: Stephen Marley

Álbum: Mind Control

Grammy Status : Vencedor Grammy 2008

 

A  COROADA playlist dos últimos anos:

       Artista  -  Faixa  -  Álbum  -  Grammy Status


01 - Black Uhuru - What is Life - Anthem - 1985
02 - Jimmy Cliff - Now And Forever - Cliff Hanger - 1986
03 - Steel Pulse - Not King James Version - Babylon The Band  - 1987
04 - Peter Tosh - Come Together - No Nuclear War - 1988
05 - Ziggy Marley - Concious Party - Conscious Party - 1989
06 - Ziggy Marley - Justice - One Bright Day -  1990
07 - Bunny Wailer - Soul Rebel - Time Will Tell - 1991
08 - Shabba Ranks - Trailor Load a Girls - As Raw As Ever - 1992
09 - Shabba Ranks - Ting-A-Ling - X-tra Naked - 1993
10 - Inner Circle - Sweat (A La La La Long) - Bad To The Bone - 1994
11 - Bunny Wailer - Crucial - Crucial! Roots Classics - 1995
12 - Shaggy - Day Oh - Boombastic - 1996
13 - Bunny Wailer - Roots - Hall Of Fame - 1997
14 - Ziggy Marley - Postman - Fallen Is Babylon - 1998
15 - Sly And Robbie - Night Nurse - Friends - 1999
16 - Burning Spear - House of Reggae - Calling Rastafari - 2000
17 - Beenie Man - Analyze This - Art and Life - 2001
18 - Damian Marley - More Justice - Halfway Tree - 2002
19 - Lee Scratch Perry - Commandments - Jamaican Et - 2003
20 - Sean Paul - Im Still In Love With You - Dutty Rock - 2004
21 - Toots And the Maytals - Pressure Drop ft. Eric Clapton - True Love -  2005
22 - Damian Jr Gong Marley  - Welcome to Jamrock - 2006

23 - Ziggy Marley - Love Is My Religion - 2007

 



Escrito por Wil Zion às 15h18
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Remanescentes do Paraguaçu

 

O Remanescentes foi um grupo alternativo comunitário que, segundo os seus ex-integrantes, tinha como objetivo levar a mensagem do evangelho através do reggae. Seus fundadores foram os cachoeiranos Nengo Vieira, Sine Calmon, Tin Tim Gomes e Marco Oliveira.

 

A liderança ficou estabelecida e dividida entre os quatro, que faziam de suas casas em Cachoeira, suas congregações, onde se reuniam com as famílias para a leitura e interpretação da Bíblia Sagrada. O grupo era formado por oito pessoas que adotavam a estética Rasta, mas que tinham uma forma particular de apropriação da religião. Ao invés de idolatrarem o imperador etíope Hailê Salassiê, que julgavam ser um homem como outro qualquer, adoravam e tinham como salvador Jesus Cristo. Do Rastafarianismo, porém, adotaram além da estética, a influência total da Rebel Music, o repúdio às instituições e o hábito do consumo da Ganja.

 

O Remanescentes chegou a gravar um disco nos estúdios da WR, em Salvador, mas um tempo depois o grupo foi extinto. O álbum permanece inédito no mercado fonográfico, contudo algumas das canções que fizeram parte desse repertório foram gravadas nos discos dos seus ex-integrantes. Sine Calmon foi o primeiro a gravar: “Roda Peão” (Nengo Vieira); “Policiar sim, malícia não” (Nengo Vieira); “Mississipi blues” (Sine Calmon), “Basta Man” (Nengo Vieira) e “É demais” (Sine Calmon). Nengo Vieira também gravou “Roda Peão” (Nengo Vieira) e “Basta Ma”n (Nengo Vieira). Desse mesmo repertório Tin Tim Gomes gravou “Guerreiro Mor” (Nengo Vieira) e “Pelo amor de Deus” (Nengo Vieira).

 

O reggae feito pelos Remanescentes seguia o estilo roots jamaicano, que é o reggae que se fazia na Jamaica nas décadas de 70/ 80, também conhecido com reggae de raiz, com tempo 4/4, baixo na frente em tom grave, exploração melódica variada e incorporação máxima da bateria. As letras, que traduziam bem o cotidiano dos excluídos, tratavam de problemas sociais, do amor incondicional e da esperança através das palavras espirituais. Apesar do Nengo Vieira ser o músico mais experiente e o principal letrista, tanto as músicas quanto as letras eram tratadas com muita atenção e participação de todos.

 

    
              

 

Assim, o trabalho dos Remanescentes continua vivo até hoje nas vozes de Sine Calmon, Nengo Vieira, Tin Tim Gomes e Marco Oliveira. Se o trabalho solo desses caras tem a qualidade que vocês conhecem, imaginem essas feras reunidas num só time! Os Remanescentes eram: Nengo Vieira (voz e guitarra), Sine Calmon (voz e guitarra), Tin Tim Gomes (vocal), Marco Oliveira (voz e contra-baixo), João Teoria (trompete), Quinho (bateria), Beto (percussão), Wilson Tororó (percussão) e Valéria (backing-vocal).

 

 

 

Fonte: SURFOREGGAE

texto: Bárbara Falcón



Escrito por Wil Zion às 17h44
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A musica Ponto de Equilíbrio representa a busca eterna ao nosso equilíbrio mental e espiritual através de nossas crenças. Essa mensagem pode ser captada em "jamais perca seu equilíbrio por mais forte que seja o vento da tempestade, busque no interior o abrigo" e "eu e eu buscando o ponto de equilíbrio, entre nós e eu o eu dos irmãos que andam no mesmo caminho".

Essa música contém uma mensagem especial para aqueles que usam dreadlocks e por isso se intitulam rastafaris, mesmo sem fazer idéia do que seja essa afirmação tão séria. Mostra que o sentimento e filosofia rasta não são  alcançados através da aparência e sim pelo coração e alma: "de que valem os dreads, de que valem, se as palavras são em vão, o que lhe faz um rasta é alma e o coração.”

 

 

Marcio Sampaio - guitarra base (Banda Ponto de Equilíbrio)



Escrito por Wil Zion às 09h19
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In Memorian

Augustus Pablo [1953 - 1999]  Horace Swaby nasceu em 21 de junho de 1953 em St. Andrew, Jamaica, mas logo se mudou para Kingston. Desde o início o seu instrumento foi à melódica (recentemente o jornal New York Times o apontou como o maior tocador de melodica do mundo).  

Um mal raro e incurável, a miastenia gravis, afetou o seu sistema nervoso a ponto dele não conseguir mais reconhecer as pessoas, vindo a falecer no dia 18 de maio de 1999.

Bob Marley [1945 - 1981] No dia 6 de fevereiro de 1945 na povoação rural Nine Miles (Norte da Jamaica), nascia Robert Nesta Marley, ou simplesmente Bob Marley, aquele que mais contribuiu para difusão do reggae pelo mundo.

A morte de Bob em 11 de maio de 1981 (aos 36 anos de idade), devido a um câncer de pele que se desenvolvel debaixo da unha, não foi suficiente para calar os ideais desse mito. Sua música e suas idéias continuam vivas e são eternizadas de geração em geração.

Carlton "Carly" Barrett [1951 - 1987] Não é difícil provar que os membros da banda The Wailers tiveram um grande impacto no som de Bob. Carlton Barret, o baterista que o acompanhou por muitos anos e inventou a levada one-drop, nasceu em Kingston, na Jamaica, em 1951. Sua primeira bateria foram algumas latas vazias de tinta e um prato velho que ele encontrou pela rua. Mesmo com esses instrumentos toscos, Carly começou a desenvolver, com seu irmão Aston, uma conexão musical muito profunda, que definiria o som do reggae no futuro.

Barret era conhecido por ser um homem introspectivo, que não gostava de aparecer. Sua morte trágica, em 17 de abril de 1987, foi uma grande perda para a comunidade da música. De qualquer forma, sua forte influência na bateria e na música reggae continua até hoje.

Dennis Brown [1957 - 1999] Nascido na capital da ilha caribenha em 1º de fevereiro de 1957, Dennis Emanuel Brown pertencia à segunda geração do gênero, que começou a cantar quando o ska já não estava mais presente no cenário musical e um novo estilo tomava conta das paradas: o reggae.

A segunda vez em que ele veio aqui no Brasil, já está marcada na história do reggae de uma forma que nenhum de nós desejaria: sua apresentação em São Paulo, a única da atribulada tentativa de turnê que aconteceu em maio/junho, foi a última de sua longa carreira, de mais de 30 anos. Uma pneumonia que não foi devidamente tratada acabou por tirar a vida do príncipe do reggae no dia 1º de julho de 1999, às 6:50 da manhã, em um hospital de Kingston.

Jacob Miller [1957 - 1980]  Nasceu em 1957, gravou seu primeiro disco pela Coxsone Dodd, intitulado "Love Is A Message" (aka ’Let Me Love You’) em 1968, com apenas 13 anos. As batidas do Roots Rock Reggae, combinadas com o explosivo estágio de Miller, fizeram o Inner Circle despontar como banda TOP no final dos anos 70 na Jamaica. Miller era um homem exuberante, possuído por características peculiares diante dos demais cantores de reggae, e no Inner Circle conseguiu fixar hits inabaláveis na história do Reggae.

Miller morreu em 1980, pouco depois de ter visitado o Brasil ao lado de Bob Marley. Ele tentava dirigir e chupar cana ao mesmo tempo (sério!) quando o carro que dirigia bateu num poste e o vocalista quebrou o pescoço. Depois da morte de Miller, o Inner Circle nunca mais foi o mesmo.

Peter Tosh  [1944 - 1987] Nasceu em Grange Hill, no lado oeste da Jamaica, em 19 de outubro de 1944. Embora tenha se tornado conhecido pela pureza de sua voz de barítono, ele também era mestre nas notas mais altas.

Era 11 de setembro de 1987. Maskaram, Ano Novo para os Etíopes Ortodoxos Peter Tosh foi atingido com duas balas em sua cabeça por um homem que ele tinha conhecido há muito tempo atrás.

Stanley Beckford (Starlights) O cantor Jamaicano Stanley Beckford, grande difusor do reggae na sua mistura caribenha com mento faleceu dia 31 de março de 2007, em sua casa na Jamaica. Stanley ficou muito conhecido no Brasil, principalmente nos estados da Bahia e Maranhão, onde fez dezenas de shows, tendo inclusive gravado um CD "Ao Vivo". O artista tinha 65 anos e era muito conhecido pela sua irreverência no palco.

Lucky Dube - Nascido na província de Mpumalanga (norte), entrou no mundo da música em meados da década de 80, e durante os mais de 20 anos de carreira conseguiu se consolidar como um dos grandes nomes do reggae internacional. O último dos 21 álbuns publicados pelo artista, todos eles com canções dedicadas às problemáticas sociais e comprometidas politicamente, foi lançado em 2006, com o nome "Respect".


 


 



Escrito por Wil Zion às 10h22
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 06/02/2008

O 63º aniversário da lenda do reggae
Por Paul Ricard PARIS (AFP)

 

A lenda do reggae rastafári Bob Marley ascendeu ao status de superstar numa carreira cruelmente interrompida pelo câncer, em músicas que se destacaram pela defesa dos direitos dos oprimidos e sua visão de uma humanidade unida e em paz.


Marley, que celebraria seu 63º aniversário no dia 06/02, morreu aos 36 anos em 1981, deixando um impressionante legado musical que continua a influenciar os principais artistas do mundo até hoje.


Marley foi o filho mais conhecido da Jamaica e o primeiro verdadeiro 'superstar' a surgir no mundo em desenvolvimento, num subúrbio pobre de Kingston.


Depois de se iniciar na música ska e de gravar algumas canções em 1962, Marley formou com outros cinco músicos o grupo The Wailers, em 1963.


Bob Marley and The Wailers, que incluia Bunny Livingston e Peter Tosh, se tornou ao longo dos 20 anos seguintes o grande responsável pela ampla aceitação do reggae pela mídia.


Inicialmente assinaram contrato com o Studio One, mas em 1966 Marley, que se casou com sua namorada, Rita, deixou a Jamaica para uma curta viagem aos Estados Unidos, onde sua mãe morava.


Foi ao voltar, em outubro daquele ano, que ele abraçou a religião Rastafári, que tem como líder espiritual o ex-imperador etíope Haile Selassie, conhecido como Ras Tafari.


Marley foi de fato um missionário dos Rastas, pregando paz e irmandade para toda a humanidade. Mais tarde, ele foi batizado na Igreja Ortodoxa etíope com o nome de Berhane Selassie.


Embora a religião Rastafári fosse uma combinação do Cristianismo e do Judaísmo, era polêmica por defender o uso da maconha como rito religioso. Era proibido aos seguidores cortar o cabelo e ingerir bebidas alcoólicas.

 

                                                                                                                     Continua........



Escrito por Wil Zion às 09h14
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2ª Parte

Em 1972, Marley assinou contrato com o selo Chris Blackwell's Island Records, altamente influente e inovativo, que impulsionou vários artistas de sucessos, entre os quais Genesis e John Martyn.


Naquela época, a fama de Marley tinha se espalhado pela Jamaica, mas ele continuava desconhecido na cena internacional.


Isto mudou com o lançamento de "Catch a Fire", o primeiro álbum dos Wailers a ser lançado fora da Jamaica, que foi aclamado internacionalmente. O sucesso se seguiu, um ano depois, com "Burnin'", que continha o hit "I Shot the Sheriff."


Bunny Wailer e Peter Tosh deixaram o grupo, mas a esposa de Bob, Rita, entrou depois. Em 1974, o lançamento do álbum "Natty Dread", que continua outro hit da banda, "No Woman, No Cry", levou-os ao sucesso.


Quanto mais mergulhava na religião rastafári, mais as canções de Marley se voltavam para temas de justiça social, tais como "Get up, Stand up".


Em 1976, ele foi ferido com um tiro no que se acredita que tenha sido um ataque motivado por política, em meio a um clima de agitação que dominava a Jamaica na época, mas esta hipótese nunca foi provada.


No ano seguinte, Marley descobriu um ferimento no dedão do pé direito e pensou que tivesse sido causado durante uma partida de futebol. Mas um exame de rotina revelou que ele tinha uma forma de câncer de pele se desenvolvendo debaixo da unha.

Devido à sua fé, ele inicialmente recusou se tratar. Em 1980, se apresentou pela primeira vez na África e participou das celebrações pela independência do Zimbábue.

 

Mas ao fim daquele ano, durante uma série de concertos em Nova York, ele desmaiou. Procurou ajuda, mas então já era tarde pois o câncer tinha se espalhado para o cérebro, os pulmões e o fígado.


Em seu último álbum, "Uprising", está a triste "Redemption Song", que ele canta sozinho com sua guitarra. E então ele sucumbiu à doença. Magérrimo e com os cabelos curtos que em nada lembravam seus famosos dreadlocks, Marley morreu em 11 de maio de 1981.


Mas sua morte precoce lhe garantiu um lugar entre as lendárias personalidades da música popular que se destacaram no século 20, como Elvis Presley e Jim Morrison, e a eternidade, através de sua música e de sua figura estampada em milhares de camisetas e pôsters em todo o mundo.

 

 



Escrito por Wil Zion às 09h14
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1ª Parte

JAH VIVE !!!!!

ARTIGO SOBRE A MÚSICA JAH LIVE                          

O Jornal "Daily Gleaner" preconizava que Jah estava morto.

 

A forma esguia de Bob mal era visível à pouca luz emitida pelos escassos spots do estúdio de gravação de Harry J no número 10 da avenida Roosevelt em Kingston. Vestindo uma camisa de algodão marrom, calças de brim e requintadas botas de camurça, ele se postava de mãos nos quadris no meio do abarrotado estúdio de pé-direito alto. Uma delicada nuvem de fumaça subia de um spliff em sua mão, circundando-lhe a cabeça reclinada de onde pendiam os dreadlocks enquanto ele se concentrava. O relógio da parede marcava 10:30 de uma certa noite no mês de setembro de 1975.

 

As gravações para o disco Rastaman Vibration dos Wailers haviam sido deixadas de lado para permitir um projeto especial, de emergência. O engenheiro Sylvan Morris, um negro corpulento e solene, sentava-se envergado sobre a mesa de dezesseis canais no lado de lá do painel de vidro sujo que separava a cabine de controle do estúdio; ele pegou uma garrafa bojuda de Dragon e tomou um gole enquanto aguardava algum sinal para dar início à fita. Não se ouvia nada, exceto a deglutição de Sylvan, seguida de um arroto abafado.

 

Talvez tenham-se passado dois minutos até que Bob levantou a juba de Medusa. Ele colocou os fones de ouvido, deu uma tragada de encolher as bochechas no spliff e fez um aceno com a cabeça. Uma trilha instrumental que os Wailers tinham feito à tarde começou a jorrar dos gigantescos monitores pendurados acima da mesa de mixagem.

 

Havia um padrão de bateria, um baixo entorpecente pilotando a bateria, e uma guitarra rítmica em surdina. Bob deu um passo rápido em direção ao microfone e paralisou as dez pessoas que se amontoavam na cabine do engenheiro quando começou a cantar:

 

Selassie lives! Jah-Jah lives, children!

Jah lives! Jah-Jah lives!

Fools sayin’ in dere beart,

Rasta yar God is dead

But I&I know ever more

Dreaded shall be dreaded and dread...’

 

Os rostos de Family Man e Carly se congelaram num amplo sorriso beato que eles compartilharam com os outros presentes: Al Anderson; Lee Perry e sua esposa; Rita; Marcia Griffiths e sua amiga Judy Mowatt, ex-vocalista do grupo Gaylets e terceira integrante de um trio recém-formado chamado I-Threes – o novo grupo vocal de apoio dos Wailers; além de dois recentes acréscimos a estes, o organista Bernard “Touter” Harvey e Earl “Chinna” Smith na guitarra base. Ninguém se mexia, todos com os olhos pregados na figura magricela do outro lado do vidro. Sua cabeça esbelta jogava para trás e ondulantes guirlandas de uma espessa fumaça branca exalavam de suas largas narinas enquanto ele pleiteava devoção atemporal ao Jah Rastafári.

 

                                                                                                                            

  Continua.......



Escrito por Wil Zion às 17h32
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2ª Parte

E enquanto ele cantava, a aguçada malha musical ficava cada vez mais alta, crescendo em espirais, num círculo estonteante de tensão e relaxamento, até o controle psíquico tornar-se insuportável. Gotas de suor surgiam na testa ampla do rosto barbudo de Family Man, e seu sorriso nele estampado mostrava-se cada vez mais maníaco, quase grotesco.

 

Sem avisar, Marley girou de repente e explodiu em áspera exultação primal que retumbou pelo prédio como um maremoto. As estátuas escuras do outro lado do vidro, de um salto, voltaram à vida; começaram a pinotear e a arremeter em furioso abandono e logo a dançar de uma saleta para outra enquanto Marley mandava sua áspera voz de tenor nas maiores alturas:

 

The truth is an offense but not a sin!

ls he laugh last, is he ruho svin!

ls a foolish dag barks at a flying bird!

 

 

" Tradução de Jah Live "

Parte 1

[ Selassié vive! Jah-Jah vive, crianças! / Jah vive! Jah-Jah vive! / Os tolos dizem de coração, / Rasta, seu Deus está morto / Mas eu&eu sei cada vez mais / Os dreads serão temidos e respeitados...]

 

Parte 2

“[A verdade é uma ofensa mas não um pecado! / Quem ri por último é quem ganha! / O cão que ladra para um passarinho voando é bobo! / Uma ovelha precisa aprender a respeitar o pastor! / Jah vive! Selassié vive, crianças! / Jah vive! Jah-Jah vive!]

 

Fonte: http://www.rastamen.hpg.ig.com.br

 



Escrito por Wil Zion às 17h30
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A TERRA PROMETIDA  - ZION

No idioma de redenção dos Rastas , a única salvação para o negro do Oeste é se repatriar  a seu lar ancestral : Etiópia – África . Enquanto opiniões dentro do movimento divergem como precisamente a repatriação ocorrerá e sua natureza , espiritual ou física , Ras Tafari I reconhece que isso será iminente e sinalizará a total inversão da estrutura de poder  vigente  no mundo.

Ao contrario de outras formações  culturais  pan-africanas ; pôr exemplo, Santeira em Cuba, Vudu no Haiti, Candomblé no Brasil e Xangô em Trinidade, Ras Tafari I é um fenômeno do seculo XX sem antecedente cultural no Oeste ou herança da cultura central – africana.

Os rituais Rastas mantêm uma continuidade na identidade africana  e nas tradições associadas  como pôr  exemplo rituais de dança e tambores, praticas  de cura  e crença no poder mágico das palavras – “word, sound & Power” (“Palavra , Som & Poder).

Imagens da realeza Etíope, eventos e personagens do Velho Testamento, uma forma ritualística de se falar e o uso de longos cabelos, chamados de Dread Locks têm sido adotados e transformados nos símbolos  e na tradição dos Rastas . No contexto da Diaspora, essa tradição é melhor entendida como uma resposta a ideologia da raça dominante.

Essa etnia se refere à auto – conscientização da cultura com o intuito de disseminar uma nova mensagem, juntamente com sua simbologia e religiosidade. O Etiopianismo anunciou uma nova  fase dos  rituais jamaicanos , onde os Rastas identificaram-se como “crianças”, tanto no sentido espiritual como genealógico, como que  mantendo o parentesco  com os antigos Israelitas , que seguiram Moisés através  do Mar Vermelho séculos atrás.

As crônicas bíblicas do “Exílio” e do “Retorno a Terra Prometida” serviram como documento mítico para a prisão  dos escravos  no Novo Mundo , e de seu anseio pôr  redenção fora da escravidão. O uso de velhos materiais  para a criação de uma nova estrutura profética fez com que surgisse a imagem da Etiópia- Israel como sendo uma nação negra. Faz parte da tradição Rasta , pôr Exemplo , cantar e agradecer o “Sagrado Monte Sião”(HOLY MOUNT ZION) que  é  reconhecido pela fé como sendo o lar de Jah Ras Tafari I . Esse processo serviu para cristalizar a soberania e a legitimidade africana numa aparência político- religiosa única.

 

ZION : Etiópia, África, a terra prometida dos Rastas (1) Muitos rastas entendem que Zion pode ser uma sociedade mais justa, que não está em nenhum lugar específico e deve ser algo por que lutar

 

Fonte: Dicionário Rasta/Patois (Jamaicano) - http://rastafari.no.sapo.pt/dicionario.htm

 



Escrito por Wil Zion às 19h58
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